Abutre-Africano (Gyps africanus): O Herói Invisível Que Impede Pandemias na Savana
Por que o sumiço do abutre mais comum da África é um alerta vermelho para toda a humanidade?
Você já imaginou quem limpa a savana africana? Não é o leão, não é a hiena. É ele: o Abutre-Africano, ou Gyps africanus, também chamado de grifo-africano ou abutre-de-rabadilha-branca-africano. Feio para alguns, essencial para todos.
Enquanto você lê este artigo, centenas deles estão planando a quilômetros de altura, procurando o que ninguém mais quer.
Quem é esse gigante dos céus?
O Gyps africanus é um típico abutre do Velho Mundo: cabeça e pescoço com poucas penas, asas imensas e aquele tufo branco característico no pescoço que parece um cachecol. É um abutre médio, podendo pesar até 6.5 kg.
- Peso: 4,15 a 5,7 kg (até 6,5 kg)
- Tamanho: 78 a 95 cm
- Envergadura: 1,96 m a 2,25 m
- Característica: mancha branca no dorso visível em voo
Ele vive em colônias flexíveis e é quase impossível olhar para o céu da savana e não ver vários pairando a qualquer hora do dia.
Onde vive e o que come?
Seu habitat são savanas abertas, planícies e proximidades de habitações humanas. É 100% necrófago. E isso é o seu superpoder. O estômago do abutre-africano tem um ácido tão forte que destrói antraz, botulismo e raiva. Sem ele, as carcaças apodreceriam e espalhariam doenças.
Por que o abutre mais numeroso está em extinção?
Hoje o Gyps africanus é classificado como Criticamente em Perigo (Critically Endangered) pela IUCN. A população declinou entre 81,8% e 89,6% nas últimas três gerações. Saiu de "Pouco Preocupante" em 2005 para "Criticamente em Perigo" em apenas 10 anos.
Restam cerca de 270.000 indivíduos e os principais motivos são:
1. Envenenamento: Compõe mais de 90% das mortes em envenenamentos em massa.
2. Crenças tradicionais: Uso do cérebro para "prever" o futuro.
3. Eletrocussão e perda de habitat em linhas de energia.
Como ajudar?
O Abutre-Africano está no Apêndice II da CITES e faz parte do Plano de Ação Multi-espécies (Vulture MsAP). Compartilhar informação, apoiar a Vulture Conservation Foundation e combater o preconceito já ajuda.
Se os abutres sumirem, as doenças não vão sumir com eles. Vão se espalhar.
Gostou? Comente o que você achava dos abutres antes deste artigo e compartilhe para que mais pessoas conheçam o herói invisível da savana.
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